Translate

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Cão Não é o Vilão!

Curti outro dia no Facebook, a página da campanha "O cão não é o vilão", uma página sobre a ONG de mesmo nome, que lançou a campanha "Prevenção é a única solução".
Trata-se de uma campanha que tenta aumentar a discussão e esclarecer a todos os proprietários e simpatizantes das causas dos animais, imprensa, ONG's, veterinários e autoridades sobre a Leishmaniose Visceral Canina (LVC).


Objetivos da campanha
- Mobilizar a sociedade para os fundamentos da guarda ou posse responsável;
- Gerar conteúdos e atitudes positivas no enfrentamento da doença;
- Incentivar a atualização técnica dos profissionais da saúde, em especial dos médicos veterinários;
- Mudar o rumo das políticas de prevenção e combate a doença em TODO o país – à semelhança do que é feito no exterior.



O que é Leishmaniose Visceral Canina (LVC)?

A Leishmaniose Visceral afeta animais e humanos e é considerada uma das principais zoonoses mundiais, com casos notificados em 88 países, distribuídos em quatro continentes.
A falta de um política pública adequada e eficaz tem como resultado a morte de milhares de cães e a disseminação da doença entre as pessoas, por todo o país.
Muitos desses animais são mortos apenas por terem a suspeita da doença.

Definição e Transmissão
A Leishmaniose Visceral, também conhecida em muitas regiões como Calazar, é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários flagelados do Gênero Leishmania. 
A transmissão e a infecção dependem principalmente de um vetor (condutor), no caso, um mosquito e de um hospedeiro vertebrado, que funciona como um reservatório da doença. 
Os insetos são pequenos, medem de 1 a 3 mm de comprimento, conhecidos popularmente por mosquito palha, apresentam o corpo coberto de pelos, e uma coloração castanho claro ou cor de palha. 
São facilmente reconhecidos pelo seu comportamento, ao voar em pequenos saltos e pousar com as asas entreabertas. Adaptados a diversos ambientes, desenvolvem-se em locais terrestres úmidos, ricos de matéria orgânica e com baixa incidência luminosa. Com hábitos crepusculares, somente a fêmea alimenta-se de sangue para maturação dos ovos.  
Os principais reservatórios envolvidos na transmissão da doença são: caninos, felinos, homem, roedores, edentados, marsupiais, procionídeos e primatas. 
O cão doméstico, é apontado como a principal fonte de infecção para os flebotomíneos, quer pelo alto índice da doença neste animal em área endêmica, quer pela grande quantidade de parasitas presentes na pele do mesmo. 
O período de incubação da doença em animais naturalmente infectados é variável, e estes podem apresentar sintomatologia em 3 meses ou até 7 anos, levando a diferentes apresentações clínicas.
A leishmaniose canina se caracteriza pela sua enorme variabilidade clínica e lesional, devido basicamente a fatores individuais relacionados exclusivamente ao tipo de resposta imunológica desenvolvida, grau de infestação, tempo de evolução da enfermidade e aos órgãos afetados.



Tratamento

O tratamento da leishmaniose canina vem sendo realizado no mundo inteiro desde 1960, como forma terapêutica e preventiva da doença, com implicações diretas na redução da prevalência humana. 
Na Europa, especificamente na França, Itália, Espanha, e Portugal, existem drogas leishmanicidas específicas para o tratamento canino (Glucantime®- Merial; Milteforan®- Virbac). 
No Brasil, há mais de 50 anos as autoridades de saúde praticam a eliminação de cães positivos, apoiados em um decreto de 1963 (Decreto 51.858). O crescimento da doença comprova a ineficácia dessa questionável política. 
Diversas pesquisas no Mundo e no Brasil demonstram que o animal, tratado e controlado, não é infectante, não oferecendo risco à Saúde Pública. 
A LVC é uma doença tratável, apresentando cura clínica (desaparecimento de sinais clínicos), mas, raramente, a cura parasitológica (o parasita permanece no organismo do animal/ser humano). Este fato não é preocupante nem incomum, já que em doenças causadas por protozoários – como são as Leishmanioses – a Doença de Chagas e a Toxoplasmose não existe a eliminação completa do parasita no cão ou no ser humano. 
O homem e o cão podem viver normalmente, mas devem fazer acompanhamento periódico para que a doença não volte a se manifestar. 
No Brasil, estudos demonstram que o tratamento de cães portadores do parasito com a vacina Leishmune® tem apresentado bons resultados. A vacina Leishmune® usada em dupla concentração associada à quimioterapia com alopurinol ou anfotericina b, reduziu os sinais clínicos e a evidencia do parasito, modulando a evolução da infecção e o potencial de infecciosidade para flebótomos. 
A causa da morte na leishmaniose visceral humana e canina é a lesão renal ou do fígado, por isso a importância do acompanhamento pelo médico veterinário que fará exames periódicos no animal (a cada 3 – 4 meses). 
O cão portador da LVC fará acompanhamento contínuo. Caso ele venha a apresentar exame sorológico negativo, o veterinário deverá avaliar se continuará ou não a medicação; porém o monitoramento através de exames deve ser feito a cada 6 – 12 meses como forma de evitar recidivas da doença. 
De qualquer forma, TODOS os cães – infectados ou não – devem usar repelentes para evitar as picadas do mosquito-palha por toda vida.


No site, vocês encontram também uma petição que busca uma série de benefícios, como mudanças em decretos, apoios de autoridades, criação de centros de tratamento entre outros. Eu já assinei, e vocês?
Maiores informações sobre a campanha e também sobre a doença, vocês podem encontrar no site oficial da ONG e também no Facebook.

Site Oficial
Facebook



Nenhum comentário:

Postar um comentário