Trata-se de uma campanha que tenta aumentar a discussão e esclarecer a todos os proprietários e simpatizantes das causas dos animais, imprensa, ONG's, veterinários e autoridades sobre a Leishmaniose Visceral Canina (LVC).
Objetivos da campanha
- Mobilizar a sociedade para os fundamentos da guarda ou posse responsável;
- Gerar conteúdos e atitudes positivas no enfrentamento da doença;
- Incentivar a atualização técnica dos profissionais da saúde, em especial dos médicos veterinários;
- Mudar o rumo das políticas de prevenção e combate a doença em TODO o país – à semelhança do que é feito no exterior.
O que é Leishmaniose Visceral Canina (LVC)?
A Leishmaniose Visceral afeta animais e humanos e é considerada uma das principais zoonoses mundiais, com casos notificados em 88 países, distribuídos em quatro continentes.
A falta de um política pública adequada e eficaz tem como resultado a morte de milhares de cães e a disseminação da doença entre as pessoas, por todo o país.
Muitos desses animais são mortos apenas por terem a suspeita da doença.
Definição e Transmissão
A Leishmaniose Visceral, também conhecida em muitas regiões como Calazar, é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários flagelados do Gênero Leishmania.
A transmissão e a infecção dependem principalmente de um vetor (condutor), no caso, um mosquito e de um hospedeiro vertebrado, que funciona como um reservatório da doença.
Os insetos são pequenos, medem de 1 a 3 mm de comprimento, conhecidos popularmente por mosquito palha, apresentam o corpo coberto de pelos, e uma coloração castanho claro ou cor de palha.
São facilmente reconhecidos pelo seu comportamento, ao voar em pequenos saltos e pousar com as asas entreabertas. Adaptados a diversos ambientes, desenvolvem-se em locais terrestres úmidos, ricos de matéria orgânica e com baixa incidência luminosa. Com hábitos crepusculares, somente a fêmea alimenta-se de sangue para maturação dos ovos.
Os principais reservatórios envolvidos na transmissão da doença são: caninos, felinos, homem, roedores, edentados, marsupiais, procionídeos e primatas.
O cão doméstico, é apontado como a principal fonte de infecção para os flebotomíneos, quer pelo alto índice da doença neste animal em área endêmica, quer pela grande quantidade de parasitas presentes na pele do mesmo.
O período de incubação da doença em animais naturalmente infectados é variável, e estes podem apresentar sintomatologia em 3 meses ou até 7 anos, levando a diferentes apresentações clínicas.
A leishmaniose canina se caracteriza pela sua enorme variabilidade clínica e lesional, devido basicamente a fatores individuais relacionados exclusivamente ao tipo de resposta imunológica desenvolvida, grau de infestação, tempo de evolução da enfermidade e aos órgãos afetados.
Tratamento
O tratamento da leishmaniose canina vem sendo realizado no mundo inteiro desde 1960, como forma terapêutica e preventiva da doença, com implicações diretas na redução da prevalência humana.
Na Europa, especificamente na França, Itália, Espanha, e Portugal, existem drogas leishmanicidas específicas para o tratamento canino (Glucantime®- Merial; Milteforan®- Virbac).
No Brasil, há mais de 50 anos as autoridades de saúde praticam a eliminação de cães positivos, apoiados em um decreto de 1963 (Decreto 51.858). O crescimento da doença comprova a ineficácia dessa questionável política.
Diversas pesquisas no Mundo e no Brasil demonstram que o animal, tratado e controlado, não é infectante, não oferecendo risco à Saúde Pública.
A LVC é uma doença tratável, apresentando cura clínica (desaparecimento de sinais clínicos), mas, raramente, a cura parasitológica (o parasita permanece no organismo do animal/ser humano). Este fato não é preocupante nem incomum, já que em doenças causadas por protozoários – como são as Leishmanioses – a Doença de Chagas e a Toxoplasmose não existe a eliminação completa do parasita no cão ou no ser humano.
O homem e o cão podem viver normalmente, mas devem fazer acompanhamento periódico para que a doença não volte a se manifestar.
No Brasil, estudos demonstram que o tratamento de cães portadores do parasito com a vacina Leishmune® tem apresentado bons resultados. A vacina Leishmune® usada em dupla concentração associada à quimioterapia com alopurinol ou anfotericina b, reduziu os sinais clínicos e a evidencia do parasito, modulando a evolução da infecção e o potencial de infecciosidade para flebótomos.
A causa da morte na leishmaniose visceral humana e canina é a lesão renal ou do fígado, por isso a importância do acompanhamento pelo médico veterinário que fará exames periódicos no animal (a cada 3 – 4 meses).
O cão portador da LVC fará acompanhamento contínuo. Caso ele venha a apresentar exame sorológico negativo, o veterinário deverá avaliar se continuará ou não a medicação; porém o monitoramento através de exames deve ser feito a cada 6 – 12 meses como forma de evitar recidivas da doença.
De qualquer forma, TODOS os cães – infectados ou não – devem usar repelentes para evitar as picadas do mosquito-palha por toda vida.
Maiores informações sobre a campanha e também sobre a doença, vocês podem encontrar no site oficial da ONG e também no Facebook.
Site Oficial



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